Pessoa de cabeça baixa sobre a mesa, cercada de papéis e notificações

Cansaço todo mundo sente. Depois de uma semana difícil, de um prazo apertado ou de uma noite mal dormida, o corpo pede descanso e, em geral, o descanso resolve. O burnout é outra coisa: é um esgotamento que não passa com o fim de semana, com as férias ou com uma noite de sono. É a sensação de acordar já sem reserva para o dia que começa.

A Organização Mundial da Saúde descreve o burnout como uma síndrome ligada ao estresse crônico no trabalho que não foi bem administrado. Ela costuma aparecer em três frentes ao mesmo tempo: exaustão que não cede, um distanciamento crescente em relação ao trabalho (que pode vir como irritação, cinismo ou indiferença por algo que antes fazia sentido) e a impressão de que, por mais que você se esforce, o resultado nunca é suficiente.

O corpo costuma avisar antes da mente aceitar. Dores de cabeça e tensão muscular que viraram rotina, alterações no sono e no apetite, dificuldade de concentração, adoecimentos frequentes, irritabilidade com quem está por perto. Muita gente só percebe a dimensão do quadro quando o corpo impõe uma pausa que a agenda não permitia.

É comum que o burnout seja lido como fraqueza, falta de organização ou pouca resistência. Na Gestalt-terapia, olhamos para outra direção: para a relação entre você e as demandas que atravessam o seu dia. Quanto dessa exigência vem de fora e quanto já virou cobrança interna? O que acontece quando você considera parar? Que preço vem sendo pago, e há quanto tempo? Essas perguntas dizem mais sobre o quadro do que qualquer medida de produtividade.

Na terapia, o trabalho não é ensinar a render mais com menos. É ajudar você a reconhecer os sinais antes que eles se tornem incontornáveis, a recuperar o contato com os próprios limites e a rever acordos — com o trabalho, com as pessoas e consigo mesmo — que foram sendo firmados sem que você percebesse. A recuperação costuma ser gradual, e começa pela possibilidade de nomear o que está acontecendo.

Se você reconhece parte dessa experiência na sua própria vida, pode ser um bom momento para conversarmos.